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A SEDE

18-10-2010 22:23

            “Senhor, dá-me dessa água, assim eu nunca mais terei sede e não precisarei vir aqui buscar água” (Jo 4: 15)

            Jesus está sentado no beiral do poço de Sicar onde uma mulher sedenta acaba de chegar para buscar água. Por dentro ardia-lhe outra sede.

            Ela não o sabia: era a sede que todos temos de Deus, a que se refere esta passagem do Evangelho.

            Jesus em sua sabedoria usa com habilidade a imagem da água e da sede. A sede fisiológica simboliza outra sede mais profunda – sede de felicidade, sede de Deus – recordando aquele suspiro de Davi que parece o suspiro de toda a humanidade: “minha alma tem sede do Deus Vivo” (Sl 41:3).

            A água, que só satisfaz temporariamente o organismo, representa as alegrias humanas sempre limitadas; assim como a água que Jesus promete significa a graça – a participação da vida de Deus – destinada a satisfazer-nos eternamente.

            O Salmo 41:3 diz que nós temos sede de Deus e, no entanto, muitas vezes não tomamos consciência dessa realidade. Nós muitas vezes queremos apagar essa sede profunda com realidades deste mundo e pedimos às coisas e pedimos às pessoas aquilo que nem as coisas nem as pessoas podem dar-nos. Por isso quando estamos decepcionados com nosso/a esposo/a, com nossos filhos, com nosso trabalho ou com alguma coisa, deveríamos nos questionar se não estamos de alguma forma tratando de acalmar uma sede profunda. Às vezes nos tornamos inquietos como a corsa que busca fontes de água limpa, a corsa busca aqui e ali, algo que possa acalmar. Mastiga folhas, bebe da água turva e insuficiente das possas de água da chuva. Levanta a cabeça e cheira a unidade do ar e em seu instinto se lança em direção da fonte. Assim nós. Desejamos a felicidade permanente e vamos ao seu encontro. Mas depois, quando vemos que as alegrias humanas se vão, deixando-nos com saudades, vemos o sinal dos anos marcados em nosso rosto e que os pequenos regatos das alegrias terrenas, não bastam, e a sede continua. Suspiramos pela fonte. A sede nos leva à fonte. Deus nos criou com essa sede e ela é a que nos empurra em direção a Deus.             Por essa razão, as insatisfações e até mesmo as frustrações nos são úteis enquanto representam o que é para a corsa as grandes distâncias até descobrir os mananciais de água. Esse é o instinto que nos leva a fonte. Porque nos remove do lugar em que vegetamos e nos impulsiona na direção de Deus. Vamos, levanta-te!

            Diga “levantar-me-ei e irei à casa de meu Pai” (Lc 15:18), é na presença do Deus Vivo que saciamos todas as nossa sedes.

 

Pr. Rubens Fernando Corrêa Terra

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